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Nos últimos anos,
há um processo grande de discussão na sociedade, que pretende corrigir os erros
históricos em relação aos negros, indígenas e a população carente. Partindo
dessas discussões surgiram as ações afirmativas, entre essas ações está a
políticas de cotas. Todas essas ações, é claro, têm que ser temporárias, porque
o dia em que tivermos uma sociedade igual e globalmente democrática, esse tipo
de política não será mais necessária.
A discriminação racial, social e econômica, em alguns setores, não permite que as pessoas tenham acesso a educação, e não somente à educação, mais
também, a saúde, trabalho e etc. No entanto, a problemática da educação é mais
importante, de todos os problemas sociais, a educação é o que mais me preocupa
e que, eu acredito, deve ter uma atenção especial.
Qual a maior dificuldade que o senhor vê nacionalmente em relação à
educação superior?
Sempre buscamos formar poucas pessoas.
Costumam dizer que antigamente as escolas eram melhores, ora, antigamente não
existia escola privada, existiam apenas as escolas públicas e essas eram para
uma elite da classe média, era para poucos. Com a expansão da educação,
sobretudo o Ensino Superior, o acesso ficou mais restrito e se tem que preparar
alguém para entrar na Universidade.
Por exemplo, o CEFET aprova dez alunos, em
média para a faculdade de medicina em São Paulo, ou seja, as escolas públicas
estão melhorando sim, mas quem continua ocupando esses espaços, ou seja, os
bons espaços, é a classe média.
O Governo do Estado do Rio de Janeiro foi o primeiro a implantar o
sistema de cotas, na UERJ e UENF. Para o Senhor este sistema irá se firmar
neste Governo como uma política de Estado?
O Governo do Sergio Cabral vai prosseguir com
a política de cotas, no entanto, eu acredito que essa política tem que ser
trabalhada. Até por que, eu, assim como outros intelectuais, que se dispõem a
defender a política de cotas abertamente, somos taxados de racistas, como se
estivéssemos aumentando o racismo.
Alguns nomes da esquerda acham que esse tipo de política é muito “americanizada" e não
é bem assim, nos Estados Unidos o ensino é gratuito e excelente. A educação
primaria americana é excelente. Devíamos copiar esse modelo.
Existe muita dificuldade na implementação da Lei 10.639/03 (que trata do
ensino da História da África nas escolas). Uma das maiores dificuldades é a
capacitação dos professores.
Como a secretária de educação pode viabilizar essas capacitações.
Interessante é que o Estado da
Paraíba já está fazendo alguns livros sobre História da África para adotarem no
Ensino Médio. Quanto o Rio de Janeiro,que normalmente coloca as coisas em
prática antes dos outros Estados, ainda precisa avançar mais. A Paraíba é um
Estado que está à frente, que realmente está querendo implementar essa Lei.
Estamos vendo parcerias para
viabilizarmos essa lei, mas é necessário que as pessoas reivindiquem, que cobrem
ações que venham acelerar este processo, para que o assunto não venha ficar
fora da nossa realidade.
E pela experiência do senhor, qual o caminho que o senhor acha que seria
melhor a ser tomado?
Eu estive em alguns seminários
da UNESCO sobre tráfico de escravos e, lá, foi falado que os portugueses
levaram os negros cativos até mesmo pro Japão, numa média de 100 milhões de
negros, onde a grande maioria falecia no trajeto.
O povo brasileiro mesmo, não
tem muito acesso a história do negro no Brasil, até por que Ruy Barbosa mandou
queimar os documentos referentes à escravidão, então nós brasileiros não temos
acesso a nossa história, a história dos negros no Brasil. Eu fui conhecer mais
a história dos negros africanos, da situação que a África enfrenta, quando eu
morei lá, durante quatro anos.
Acredito que essa realidade tem
que ser mostrada para a população, esse seria um bom inicio.
*Renato Ferreira é coordenador do PPCor
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