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IBGE confirma desigualdades raciais
Da
equipe do PPCOR
A Síntese de Indicadores
Sociais 2002,
lançada recentemente pelo IBGE, confirma que o corte racial traz a patente das
desigualdades que caracterizam a sociedade brasileira, com um verdadeiro abismo
entre os dois grupos majoritários da população: de um lado pretos/pardos, de
outro brancos. Os dados mostram que pretos e pardos recebem metade do
rendimento dos brancos em todos os estados, principalmente nas regiões
metropolitanas de Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.
O estudo do IBGE mostra
também que o aumento do nível educacional não tem sido suficiente para impedir
desigualdades de rendimentos entre os dois grupos. As maiores diferenças
raciais foram observadas exatamente entre a população com 12 anos ou mais de
estudos, ou seja, após romper inúmeras barreiras discriminatórias até chegar no
ensino superior pretos e pardos - de acordo com a terminologia de cor adotada
pelo IBGE - são obrigados a aceitar salários inferiores pagos aos brancos.
Homens pretos e pardos ganhavam 30% a menos que mulheres brancas, em 2001,
confirmando assim que a injustiça de oportunidades entre os diferentes gêneros
se sobrepõe, mas não supera a discriminação por raça.
Tais números não são
nada surpreendentes para os leitores mais atentos à questão. Entretanto, é
significativo considerar que as agências governamentais, que subsidiam os
posicionamentos oficiais, vêm produzindo e divulgando pesquisas que revelam a
existência de desigualdades raciais em praticamente todos os âmbitos da vida
social e produtiva brasileira. Cabe lembrar que há poucas décadas atrás o mesmo
IBGE nem podia incluir cor/raça em seus levantamentos.
Outros estudos sobre o
tema:
“Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho”, do Dieese e do
INSPIR - Instituto Sindical lnteramericano pela Igualdade Racial;
“Perfil social, racial e de gênero das diretorias das grandes
empresas brasileiras", do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade
Social - em parceria com Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Escola
de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas
(FGV-EAESP), o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher
(Unifem) e o Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea);
"Desigualdades Raciais no Brasil: um balanço da intervenção
governamental”, do IPEA
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