Programa Políticas da Cor na Educação Brasileira

 Boletim Número 04 | segunda-feira, 23 de junho de 2003

 

 

 

 

 

 

 


IBGE confirma desigualdades raciais

Da equipe do PPCOR

A Síntese de Indicadores Sociais 2002, lançada recentemente pelo IBGE, confirma que o corte racial traz a patente das desigualdades que caracterizam a sociedade brasileira, com um verdadeiro abismo entre os dois grupos majoritários da população: de um lado pretos/pardos, de outro brancos. Os dados mostram que pretos e pardos recebem metade do rendimento dos brancos em todos os estados, principalmente nas regiões metropolitanas de Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.

O estudo do IBGE mostra também que o aumento do nível educacional não tem sido suficiente para impedir desigualdades de rendimentos entre os dois grupos. As maiores diferenças raciais foram observadas exatamente entre a população com 12 anos ou mais de estudos, ou seja, após romper inúmeras barreiras discriminatórias até chegar no ensino superior pretos e pardos - de acordo com a terminologia de cor adotada pelo IBGE - são obrigados a aceitar salários inferiores pagos aos brancos. Homens pretos e pardos ganhavam 30% a menos que mulheres brancas, em 2001, confirmando assim que a injustiça de oportunidades entre os diferentes gêneros se sobrepõe, mas não supera a discriminação por raça.

Tais números não são nada surpreendentes para os leitores mais atentos à questão. Entretanto, é significativo considerar que as agências governamentais, que subsidiam os posicionamentos oficiais, vêm produzindo e divulgando pesquisas que revelam a existência de desigualdades raciais em praticamente todos os âmbitos da vida social e produtiva brasileira. Cabe lembrar que há poucas décadas atrás o mesmo IBGE nem podia incluir cor/raça em seus levantamentos.

Outros estudos sobre o tema:

     Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho”, do Dieese e do INSPIR - Instituto Sindical lnteramericano pela Igualdade Racial;

     Perfil social, racial e de gênero das diretorias das grandes empresas brasileiras", do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social - em parceria com Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea);

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Desigualdades Raciais no Brasil: um balanço da intervenção governamental, do IPEA

 

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